110ª Edição

JANEIRO

Revista Betim Cultural
5 min readJan 29, 2019
Foto Lucas Diniz

Não deixe que o abismo se amplie, trabalhe como ponte, abrace a vida. O ódio nunca venceu o ódio; é o amor que cura, que liberta e que constrói. #th

TIAGO HENRIQUE

Estratosfera

O homem avança
Sob cálculos imperfeitos
Sobre um caule modificado

O homem transita
Entre os animais
Consome os animais
E tenta achar culpado
Para as suas culpas

O homem segue
Caminhando ao contrário
Do futuro ao primitivo
Se fazendo irracional.

BRIAN TAYLOR

Palavras

Tudo aquilo dito no passado, foi me entregue como presente, gravado em meu interior, para suprir sua falta quando tu estivesse ausente, palavras estas que não envelheceram com o passar do tempo, palavras que só atingiram seu ápice com o decorrer dos fatos, palavras que eu acredito, futuro que eu espero, pois de ti ainda quero, aquelas palavras ouvir… Um áudio de “5 minutos e 45 segundos”…

LIVINGSTON MARLINSON

Feiura no espelho

Aqui no meio do mato.
Alucinado, lúcido…
Veio a clareza
Olhando meu rosto estranho
e magro
De que o espelho revela
alguma beleza
… Exterior, superficial

E oculta a FEIURA e o EGOÍSMO

De nossas almas sujas!

W.MOTA

Iansã

GRACIELE JUSTINO

Sobre Bumadinho falar o quê?

Tudo já foi dito… as palavras que se seguem é um pequeno registro de um desconfortável sentimento que me toma por completo. Estou tomada pelo medo: Medo dos capitalistas que não medem esforços para garantir seu lucro e dessa forma compram, desviam, sonegam, falsificam; Medo dos gestores que só racionalizam; que transformam pessoas em números e sem qualquer cerimônia menosprezam o direito a vida que aliás é premissa constitucional;
Medo pelos moradores das áreas próximas afetadas que não terão mais uma noite tranquila de sono, estarão sempre alerta, em constante posição de retirada; Medo de que, como acontecido em Mariana, nada de fato na prática seja feito para alterar uma possível recorrência dos fatos; Medo porque passado alguns dias a realidade será maquiada por assinaturas de tratados de responsabilidade que ofertarão migalhas as famílias dos envolvidos; Medo porque o triste acontecimento não servirá de exemplo a outros tantos presidentes de mineradoras e/ou hidrelétricas Brasil afora; Infelizmente agora “o jeito certo de fazer a coisa errada” é indenizar as vidas que se foram na lama e compensar outras tantas afetadas de diferentes formas por ela. Sentir no bolso decorre dos fatos; sentir com coração precede ou , no mínimo, ameniza uma tragédia, porque amar ao próximo é mandamento. Medo. E só…

FILIPE CANAAN

Explodimos

Tou no alfa eles no Beta
tipo alfabeto, nessas 26 letra vou criando o papo reto
Como manicongo
Eu tou no manicômio
Mais veloz que um maníaco, mesmo assim continuo comico

Chocolate? Lacta, será que lá que tá?
Ela Andromeda e eu via Láctea
nos trombariamos mesmo se fosse anos luz dessa galáxia

Ya ya ya, pode mandar vim buscar
Eu tô correndo mais que carro da Nascar
Cês n me pega nem se for em fórmula de Bhaskara
Fumo verde como o máscara
Livro-me de más caras
Cês são duas caras e eu vou desmascarar
Falam, Cê é demais cara
Hahahahah
Cês são muito falso
N tem como acreditar

É o time, somos sheik não shakhtar
Deixa elas achar que tá
Jogo limpo, Ramos contra Mohamed salah
Sei lá, se eu entro no jogo é pra ganhar

Somos o time nós explodimos
Eramos granada, mas cês cheiraram o pino.

GIULIANO SANTOS

O vendedor de palavras

Era um estabelecimento modesto. Poucos eram os que davam fé de sua existência; talvez pela pintura pobre e postiça, talvez pela parca audiência em luzes ou neons. À fila, a indecência de um desejo contido, asfixiava aquele exército delinquente do sentir; todos raspando as casacas da pele e se despindo abruptamente, à despeito de sanção ou surra. Em um tamborete, o
vendedor de palavras seguia mudo, apontando para o umbigo de cada proponente. Em segundos, saíam encantados, excitados por verem com os olhos e sentirem com as almas. Levantavam as frontes dos umbigos reais e das telas, deparavam-se com as coisas do mundo e com o mundo das coisas. O vendedor de palavras não as tinha nas prateleiras nuas; aquelas moviam-se livres por cada coisa e ser.

MARCOS SANTOS

A ganância e sua frieza

O preço da vida,
O preço da dor,
O preço das lágrimas caídas,

A história se repete…

Friamente a solução…
Indenização…

Sorrisos e histórias enterrados
Num lamaçal de ganância.

Mas tudo tem preço…

Que mundo é esse que
Até uma vida pode ter preço?
Como se calcula o preço da vida de um pai?
Como se calcula o preço da vida de um filho?
Como se calcula o preço da lágrima caída?
Como se calcula o preço da dor da saudade?

Num lamaçal de ganância,
Sonhos, lágrimas, dor,
Histórias inacabadas interrompidas.

Num lamaçal de ganância
Tabelaram a dor.

RELEMBRE

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Edição publicada por
Tiago Henrique
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